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Obesidade e a reintegração social, uma luta viável e necessária

Nos últimos dez anos a obesidade aumentou 60%, atingindo um em cada cinco brasileiros. Este expressivo aumento implica não apenas uma expectativa de vida mais curta para esta população, mas também severas limitações do decorrer de suas vidas. Neste dia de combate à obesidade, teremos de dar atenção aos seguintes aspectos: Quais são as limitações que […]

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Nos últimos dez anos a obesidade aumentou 60%, atingindo um em cada cinco brasileiros. Este expressivo aumento implica não apenas uma expectativa de vida mais curta para esta população, mas também severas limitações do decorrer de suas vidas. Neste dia de combate à obesidade, teremos de dar atenção aos seguintes aspectos: Quais são as limitações que a obesidade impõe? Como lidar com elas? Qual a responsabilidade da sociedade para com essas pessoas?

Nas últimas cinco décadas a obesidade vem aumentando rapidamente. Médicos, nutricionistas, psicólogos, preparadores físicos e gestores públicos atuam unidos nesta força tarefa. Apesar de todas suas estratégias terapêuticas, foi verificado aumento na obesidade infantil, o que é facilmente atestado em shopping centers. Este aumento prediz resultados ainda piores para os próximos anos.

Nossa impotência muitas vezes gera revolta contra as vítimas desta doença. Como se essas fossem culpados pela sua doença. É bem verdade que o ganho de peso depende do comer excessivo, mas quando percebemos que 20% das pessoas padecem desta doença, e que nossas estratégias quase sempre falham, é porque provavelmente estamos focados em tratar o problema de modo errado.

Antes mesmo de pensarmos na redução de quilos, será preciso entender como de faro é “ser obeso” para promover pelo menos alivio dos sintomas. Qual é o real sofrimento do indivíduo com obesidade? Vejam que os danos físicos da obesidade e suas consequências clínicas são muito bem conhecidos e compreendidos. No entanto, é a obesidade emocional que, muito antes da clínica, já impõe clara discriminação. Essa pode ser identificada no bullying da infância, na redução de oportunidade de empregos do adulto, no isolamento afetivo e na culpa que lhes é atribuída ainda dentro do lar. A obesidade ainda favorece aos indivíduos obesos a condição para tornarem-se vítimas de oportunistas que lhes oferecem tratamentos “milagrosos”e, muitas vezes, bastante invasivos ou perigosos. Quando a já previsível falha ocorre, assumem para si a responsabilidade da ineficiência do tratamento. A falha no tratamento clínico, nos indivíduos com obesidade clinicamente severa, o corre em mais de 97% dos pacientes. Mas a Sociedade os coloca como sendo eles, os doentes, como responsáveis e não o tratamento que é sabidamente ineficaz.

Os resultados desta emocionalmente devastadora condição, são construções de indivíduos com baixíssima autoestima, sem coragem, que preferem desistir diante da primeira dificuldade, e por medo de falhar e expor novamente sua insuficiência, desistem de tudo. Isso faz com que essas pessoas se tornem revoltadas, negligentes, incapazes, improdutivas, e extremamente dependentes da sociedade.

Este dia de combate à obesidade, não deve ser apenas um dia de luta contra à discriminação dos quilos excessivos, mas de aceitação destes indivíduos de forma a promover sua integração social assim como ao mercado de trabalho. Este é o momento de mostrar às pessoas que o descontrole alimentar não implica em preguiça, falta de persistência, ou mesmo de caráter. Nossa sociedade estará igualmente doente se não for capaz de torná-los produtivos e autossuficientes, pois do contrário, estará ela fadada a bancar o custo das complicações advindas da manutenção ou progressão do peso excessivo.

Enfim a sociedade deve entender que combater a obesidade física é extremamente difícil e os esforços tem-se demonstrados insuficientes. Mas vencer a obesidade emocional e social é perfeitamente factível. Que seja o início da conscientização de que, se falhamos em evitar a doença, possamos lograr êxito quanto no combate à discriminação.
Ao oportunizar a um jovem de 18 anos com 120 Kg a mesma chance de obter seu primeiro emprego quanto outro de 60 Kg, mais do que garantir-lhe respeito e dignidade, a sociedade estará tornando-o produtivo. Dessa forma estará aliviando a saúde pública do já pesado fardo causado pela obesidade e suas complicações.

Carlos Augusto S. Madalosso, MD; PhD**
Diretor da Clínica Gastrobese em Passo Fundo – RS
*Médico Graduado pela Faculdade de Medicina de Passo Fundo, Mestrado e Doutorado pela UFRGS, Membro Titular da SBCBM, ASMBS, IFSO, CBC, CBCD

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* Articulações e ligamentos sofrem muito com o excesso de peso. E mesmo em pacientes jovens já podemos identificar doenças articulares, especialmente em joelhos, tornozelos, coluna e quadris. Outros exemplos de processos relacionados à carga seriam a Doenças ósseas (esporão de calcâneo, deformidades em ossos), Apnéia obstrutiva do sono, a doença do refluxo gastroesofágico, varizes, incontinência urinária, além de dificuldade de locomoção entre outras. Já as complicações metabólicas estão relacionadas com desequilíbrio de níveis sanguíneos de gorduras e açúcares, dos efeitos inflamatórios e hormonais causados pela obesidade. Aumento dos níveis de colesterol e triglicérides, diabetes tipo 2, hipertensão arterial sistêmica com os efeitos advindos deles aterosclerose, doença coronariana, arritmias cardíacas, aumento do risco de acidente vascular cerebral, prejuízos à função renal, esteatose hepática. Esterilidade e síndrome dos ovários policísticos com hirsutismo (aparecimento de pelos) na mulher e impotência sexual em homens também são consequências da obesidade. O efeito metabólico da obesidade ainda está relacionado ao aumento da ocorrência de CÂNCER de diversos órgãos. Alguns exemplos são o câncer de mama, próstata, intestino, rim. Há ainda um efeito inflamatório causado pelo excesso de gordura. Artrites, fibromialgias e lesões cutâneas com aparecimento de dermatites também ocorrem nesses doentes.

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